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| Participantes d'A Semana de 1922 - sabiam ler |
A celebração recebeu financiamento da elite paulistana e provou, mais uma vez, a proximidade entre o capital e a arte. Claro que isso não é regra, e sim algo que pode ser observado ao longo da história. A Capela Sistina foi possível graças, também, ao dinheiro. Embora o trabalho de Michelangelo seja divino, o pintor tinha necessidades terrenas. Recapitulando, a Capela é o encontro das habilidades do pintor e da grana das organizações Vaticano.
O barulho de 1922 continua ecoando nos ouvidos da arte brasileira. Abordar este tema banal parece coisa de tolo ou impressionado, tem fundamento essa afirmação. A arte moderna é parte do nosso cotidiano, há quem fale em arte pós-moderna, mesmo que inexista uma vanguarda a carregar esta bandeira. Sempre que ouvimos falar n’A Semana, são sempre aqueles chavões repetidos acima. E esquecemos de perguntar quem consumia arte no Patropi daquele tempo.
O Brasil de 1922 é diferente daquele cenário mostrado n’A Semana. Vemos os artistas e intelectuais posando para foto do evento, vestidos de maneira impecável, banho tomado e demais apetrechos. A realidade da maioria dos brasileiros era outra, rico de privações. O contexto era bem cruel, existia um batalhão de analfabetos, impossibilitados de consumir a arte dos transgressores d’A Semana. As estimativas falam em 75% da sociedade na condição de analfabetos. A estética da vida real não era das mais bonitas
Se nos prendermos a forma mais acessível de arte, a Literatura. Acredito e tenho uma certeza, os escritores - involuntariamente ou sei lá - d’A Semana publicavam livros para ler em saraus organizados por e para eles. Leitura, na década de 1920, tratava-se de um prazer inacessível a maior parte da população. A “simplicidade” da arte escrita esbarrou no fantasma do analfabetismo. O que dizer das outras manifestações artísticas presentes na semana? A maior parte da sociedade brasileira ficou fora da festa, ainda hoje é assim. Arte ou feijão com arroz continuam artigos de luxo.
