Auschwitz é o
mais conhecido campo de concentração nazista. A “fama” é decorrente das
incontáveis pessoas mortas nesse local. Ciganos, gays, judeus e outras minorias
passaram pela “linha de montagem” da morte, situada nos muros do estabelecimento. Precisão, regularidade e mecanização eram palavras adotadas nessa indústria macabra.
O objetivo dos campos de concentração era aniquilar os
“diferentes”. Orientados sob as diretrizes da ideologia nazista, sistematizavam
a morte dos opositores do regime. Abrimos aqui um parênteses, houve campos de
concentração ou prisões tingidos com outros matizes ideológicos. A remoção dos inimigos do
regime soviético, para a Sibéria, é a outra face, de outra ideologia. A
Revolução Cultural comandada por Mao Tsé-Tung, a mesma coisa. Direita ou esquerda, não importa. A humanidade derramou sangue pelo caminho.
A II Guerra Mundial acabou. O Muro de Berlim caiu. E o
aprisionamento de pessoas por razões étnicas, políticas e religiosas deixou de
fazer sentido (nunca fez). Auschwitz e os Gulag’s são realidades
distantes. Somente na aparência. O cotidiano dessas prisões pautava-se no disciplinamento
do corpo e da mente. O sujeito devia ser anulado a todo custo por meio da violência e intimidação.
E hoje, Auschwitz é possível? Não em doses maciças, como os
nazistas praticavam. Homeopaticamente, sim. Quem passou pelos portais dos
presídios, asilos, manicômios e demais casas de correção. Sabe a que me refiro.
Tais instituições trabalham com o intuito de educar e socializar os indivíduos.
O público-alvo dessas fundações são - a sociedade e o Estado assim os denomina - os
seres decrépitos, diferentes, deformados. Os locais que os abrigam. Consideram-se
preservadores da vida.
Discurso mentiroso. Os cidadãos abrigados no interior desses
muros, vivem a receber doses microscópicas de Auschwitz. Transponha os umbrais e verá seres esquálidos com olhares e esperanças despedaçadas. As
diferenças são mínimas. O campo de concentração nazista funcionava pautado em
métodos. As casas de aprisionamento contemporâneas, também. Os prisioneiros dos
nazistas, esperavam as forças aliadas, para liberta-los. E hoje? A indiferença
é o único cuidado oferecido pela sociedade.
